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domingo, 7 de novembro de 2010

Psicologia do Opressor

Eu encontrei essa charge em um blog barbalonga da Internet e os posts me chamaram a atenção.

e dentro das postagens haviam comentários sobre uma espécie de exagero por parte dos movimentos negros em enxergar preconceitos raciais em qualquer coisa. Inclusive citando a Mayara Petruso.

Como eu deixei claro em um post de resposta, essa experiência retratada na charge já havia sido feita na verdade. A charge estava errada por que a criança negra escolhe a boneca branca e não a negra para brincar.

Esse era o vídeo feito nos EUA

Esse foi realizado no Brasil no ano passado


Qual boneca é mais bonita?
17 (65%) escolheu a boneca branca, 9 escolheu a boneca negra.
Qual boneca é a boneca boa?
11 (69%) escolheu a boneca branca, 5 escolheu a boneca negra.
Qual boneca você prefere brincar?
6 (55%) escolheu a boneca a boneca branca, 5 escolheu a boneca negra.
Se você pudesse escolher apenas uma boneca pra comprar pra a sua irmã, qual você compraria?
10 (67%) escolheu a boneca branca, 5 escolheu a boneca negra.

Lembro de uma fala do pesquisador e grande amigo Carlos Augusto Miranda Martins, autor de "RACISMO ANUNCIADO - O negro na propaganda brasileira" (dissertação de mestrado, ainda não publicada), em uma palestra que ele estava dando no dia 06/11/2010, em que no meio de sua fala ele colocava que "O oprimido tende a adotar o discurso e as práticas do opressor".

Eu lembro também de uma outra fala, tirada do filme "Os suspeitos" em que o protagonista principal tem a seguinte fala: "O maior truque que o diabo conseguiu foi convencer a humanidade de que ele não existe". Achar que o preconceito não existe é negar a justiça as suas vítimas. É tentar negar dados do IBGE que mostram que os negros não conseguem ter acesso a cargos administrativos de alto escalão (mesmo possuindo excelência em suas formações), e que as mulheres negras estão em situação ainda pior.

Revendo conceitos...
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Eu havia colocado posteriormente a essa postagem as respostas de dois rapazes sobre a discussão que havia acontecido no blog barbalonga sobre essa charge. Depois de pensar um pouco achei melhor tirar a postagem e indicar a discussão para que todos possam acompanha-la na integra. É legal perceber as dificuldades e como as discussões sobre esse assunto vão evoluindo nesse decorrer.

Para ver essa discussão, clique aqui.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Africa imaginada


O texto foi produzido para um curso de Implementação da História Africana na grade curricular escolar, mas acho que serve para esse o projeto da escola para o final de ano.

Quando ouvimos alguém falar sobre África, uma série de imagens e noções estereotipadas surge na mente. Isso é o resultado direto de uma construção social realizada de forma profunda em nossa formação histórica. Um processo marcado intensamente por visões raciais carregadas de pré-conceitos, oriundos de um passado colonial escravista, que procurava enxergar em um modelo eurocêntrico o direcionamento possível para o desenvolvimento de um ideal de nação construído pelas elites brancas escravocratas.

“Preto é tudo igual”. Infelizmente, esse é um jargão de pré-conceitos raciais que possui suas raízes em visões e concepções que foram construídas no decorrer de nossa história. Podemos ligar esse tipo de pensamento ao início do neocolonialismo europeu. Momento em que ocorre a equalização das necessidades ampliadas de matéria prima e de mercado consumidor para a potencialização do parque industrial europeu e uma promulgação do imperialismo já com os olhos estendidos para África e Ásia.

A justificativa para essa expansão aconteceu no campo ideológico, com a construção da idéia do “fardo do homem branco”. Termo conceitualizado no poema de mesmo nome do escritor Rudyard Kipling e adotado como uma espécie de justificativa nobre do Imperialismo. A imagem do homem branco forte, moderno, no auge da civilização humana, dominando diversas tecnologias e que por questões morais precisava levar essa “civilização” aos recantos mais distantes do planeta, onde os povos ainda viviam na barbárie, de forma primitiva como os seus longínquos ancestrais da pré-história.



Alguns mecanismos foram amplamente utilizados para a construção dessas idéias e desse ideal. Existe toda uma literatura engajada que em suas raízes passou a construir a imagem do explorador branco dentro das densas selvas africanas. Influenciadas pelas primeiras viagens exploratórias ao continente negro realizado pelo Dr. David Livingstone, um conjunto de personagens literários fictícios foram criados, influenciados muitas vezes por essa experiência, e que tentavam promulgar a imagem do homem branco civilizador (representante do ideal europeu) e o homem negro selvagem (representante desse imaginário africano) como seu contraste.

Entre os diversos escritores e personagens criados nesse período que adotavam em suas histórias fantásticas a ideologia do fardo do homem branco, podemos dar ênfase a um personagem que nos chega de maneira mais clara e peculiar através da mídia: Tarzan.



Na novela de Edgar Rice Burroughs de 1912, Tarzan, filho da aristocracia britânica, depois de ter seu pai assassinado por um gorila, é criado por macacos dentro da selva na costa africana e mais tarde, com o uso de sua inteligência e sua incrível capacidade de adaptação, ele se tornaria não só o rei dos animais da selva, mas o rei das tribos africanas com costumes estranhos que moravam naquele ambiente hostil. Vale lembrar que Burroughs nunca esteve na África e que as imagens que ele constrói nunca tiveram nenhum fundamento com a realidade.

Se esse tipo de literatura sempre foi amplamente divulgada em nossos meios, corroborando para a construções de um imaginário do continente africano que nos é muito cara, as chamadas exposições universais realizadas durante o século XIX serviram como espetáculo visual para uma celebração dessa modernidade européia burguesa e um aprofundamento dessas visões estereotipadas sobre a África. Elas seriam a porta de entrada e a afirmação da idéia de superioridade da burguesia européia em contraste com as diversas representações das demais áreas periféricas do globo.



Membros de tribos pigmeus apresentados dentro de jaulas, máscaras ritualísticas tribais e uma diversidade de frutas e produtos agrícolas exóticos dentro do emblemático pavilhão colonial “Esplanade dês Invalides” na Exposição de Paris de 1889, contrastavam com toda uma série de maquinários e inovações tecnológicas das outras dependências da Exposição. Era um imenso espetáculo visual que promovia, além dos valores burgueses europeus, a afirmação de uma crença da população em um crescimento continuo dos aspectos evolutivos, econômicos e científicos, desse homem tido como ápice da civilização humana e que olhava para as múltiplas e diferentes culturas com ares de excentricidades e a formação de uma necessidade de se restaurar o status quo por ele estipulado.

É nessa contrapartida que vemos a África idealizada ser arquitetada. A formação de um maniqueísmo entre o moderno e o primitivo, entre o civilizado e o selvagem, a riqueza e a pobreza tomam forma em contornos de um processo de valoração unilateral e predatório, que fundava uma tradição de desclassificação das culturas coloniais, com uma ênfase especial da africana.

No Brasil, a formação desse conjunto de visões estereotipadas sobre o continente africano, remonta suas origens em tempos coloniais, dentro de discursos políticos e religiosos que tentavam justificar de diversas formas a escravidão africana em nossos meios. A diversidade desses discursos apenas reforçava um viés de negação da multiplicidade étnica do continente africano bem como a negação de sua riqueza cultural. Essas falas sofreram uma congruência de forças na passagem do século XIX, com todo um ideário civilizador que nos foi impelido por condições que estavam sendo construídas nas regiões cosmopolitas da Europa industrial.

Desconstruir esse olhar estagnado é talvez um dos grandes desafios do educador contemporâneo brasileiro. Repensar as diversas realidades africanas que se encontram muito além dos livros didáticos é uma forma de colocar a cultura africana e afro-brasileira em seu devido lugar de destaque na sala de aula. Pensar e repensar o homem negro com uma valoração ativa como agente histórico. O reconhecimento começa ai.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Atividades do 3º Bimestre – 8º Ano D

Bom dia, crianças.
Pensar a idéia de exclusão com vocês (seja ela racial, social, política, religiosa ou sexual) se torna cada vez mais importante quando percebemos que esse tipo de prática continua acontecendo. E pior, acontecendo no nosso mundo atual, em nosso cotidiano atual, dentro de nossa escola por pessoas que continuam essas práticas por ignorância, falta de caráter ou simplesmente pela eterna dificuldade humana em aceitar o diferente. Aceitar a diversidade significa aceitar a natureza múltipla do ser humano.

Esse preconceito doentio que busca excluir as pessoas por suas diferenças deve ser combatido a todo custo. Definir padrões dentro de grupos sociais diferentes gera a formação de grupos de exclusão que mais tarde irão gerar conflitos cada vez maiores. O respeito às diferenças, as culturas e as pessoas deve ser a regra básica para a manutenção de nossa sociedade. Não é a exclusão da diferença que resolve, mas a aceitação dela como parte do conjunto humano.

A celebração dessa diferença é o elemento que viabiliza a união de todos. Uma união que talvez permita a construção de um futuro em conjunto possível.
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1ª ATIVIDADE
Vocês assistiram o documentário "Arquitetura da Destruição" de Peter Cohen.
Produzam um texto relacionando a idéia de Corpo da nação com a perseguição as minorias do regime nazista.
IMPORTANTE:
-O texto precisa demonstrar a relação entre esses dois aspectos do documentário.
-O tamanho de uma página para o texto, sempre mantendo a preocupação com a redação.
-O texto deverá ser mandado para o e-mail prof.ricks@gmail.com , em data marcada com todos em sala de aula.
-Deverá ser utilizado a fonte: TIMES NEW ROMAN, TAMANHO 12, TEXTO JUSTIFICADO, margens normal (ALINHADO).
-Não esqueça de colocar o nome na hora de enviar.
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2ª ATIVIDADE
No livro MAUS – de Art Spiegelman, é um relato em quadrinhos da vida de seu pai. Um dos poucos sobreviventes do maior campo de concentração e extermínio da Alemanha Nazista. Auschwitz.
Responda as seguintes perguntas:
A) Como os Judeus são desenhados por Art Spiegelman?
B) Como os Alemães são desenhados pelo autor?
C) Existem outros animais desenhados? Quais? Quem são eles na história?
D) Como era a vida em Auschwitz? Descreva o seu dia a dia.
E) Com base nas discussões em sala de aula, explique em 10 linhas o porquê que o regime nazista perseguiu essas pessoas.
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3ª ATIVIDADE
Leia a noticia abaixo:

Sarkozy inicia ação para deportar mais de 700 ciganos
19 de agosto de 2010 | 7h 48
AE - Agência Estado

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, começa hoje a expulsar ciganos que vivem de forma irregular no país. O primeiro grupo sairá em um avião fretado pelo governo em direção à Bulgária e à Romênia, levando 79 pessoas. O objetivo é remover mais de 700 ciganos da França em apenas 10 dias e destruir 300 dos 600 acampamentos ilegais que existem no país.
A política adotada por Sarkozy causou um mal-estar na União Europeia, já que a medida se refere à expulsão de cidadãos de países da própria UE. A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para as medidas "de cunho racista" do governo francês. Para a Romênia, a decisão ameaça provocar um "surto de xenofobia".
Um dos pilares da UE é a livre circulação de seus cidadãos, exceto no caso de Bulgária e Romênia, dois dos países mais pobres do bloco e principais locais de origem dos ciganos na Europa. Pelo acordo assinado em 2007, romenos e búlgaros podem viajar para a França, mas a permanência fica restrita a apenas três meses. O acesso ao mercado de trabalho é limitado a 150 áreas que enfrentam escassez de mão de obra.
No total, 15 mil pessoas da comunidade cigana vivem em acampamentos na França. Para Laurent El Ghozi, da entidade que reúne o grupo na Europa, Sarkozy não conseguirá expulsar os 700 que prometeu, mesmo que tenha destruído 51 acampamentos. Isso porque a viagem é voluntária e parte dos que viviam nos lugares destruídos simplesmente fugiu.

Comente a notícia levando em conta as idéias discutidas em sala de aula.
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