quinta-feira, 3 de abril de 2014

MORRE JACQUES LE GOFF


Andrei Netto - Paris - O Estado de S.Paulo

Uma das maiores autoridades mundiais em Idade Média, o historiador francês Jacques Le Goff, faleceu na segunda-feira, aos 90 anos, informou ontem a sua família. Autor de mais de 40 livros, entre os quais Uma Longa Idade Média (2004), Le Goff foi escolhido onze vezes doutor honoris causa na Europa e no Oriente Médio por ter se tornado uma referência incontornável em seu domínio de estudos. Daqui para a frente, ele próprio fará parte da História.

Nos últimos anos de sua vida, embora sua saúde se degenerasse, continuava ativo e lúcido, trabalhando em seu escritório, sempre cercado de milhares de livros. Entre fontes bibliográficas e documentos que compunham seu espaço de trabalho, Le Goff parecia seguir à risca uma constatação de Marc Bloch que se tornara célebre: “O bom historiador é como o ogro da lenda. Onde ele cheira a carne humana, ele sabe que lá está o seu jogo”.

Caçando lendas, Le Goff, fundamentou sua grande linha de pensamento: a de que a Idade Média não fora uma era de obscurantismo, como se imagina. Essa revolução quebrou a lógica moderna, que ao longo dos séculos transformara o termo “medieval” em um adjetivo pejorativo.

Romper com essa linha de pensamento foi possível a partir dos anos 1920, quando a célebre Escola dos Annales, o movimento liderado por Lucien Febvre e Marc Bloch, passou a adotar métodos pluridisciplinares na pesquisa historiográfica. Le Goff, ao lado de outro francês, Pierre Nora, foi responsável pela “terceira onda” dessa escola, lançando nos anos 1970 a chamada Nova História. Essa corrente amplificou os horizontes da disciplina, focando sua atenção no imaginário, na “história das mentalidades” – ou seja, na forma de pensar, de agir, de viver, individual e coletiva, de cada tempo e sociedade.

O historiador, a partir de então, renovou seu papel, buscando inspiração na antropologia para fundamentar interpretações e análises mais vastas, o que lhe permitiu romper clichês. Como o holandês Johan Huizinga o fizera no início do século 20, Le Goff viu na Idade Média muito mais do que doenças, miséria, ódio, guerras e opressão – como sugeriu o poeta italiano Francesco Petrarca, ainda no século 14, ou o fizeram humanistas do século 16 e filósofos do 18. Ser medieval, sustentou Le Goff ao longo de sua obra, também foi sinônimo de alegria, de idealismo, de arte e de amor.

Essa visão da história foi deixada pelo francês em livros como A Civilização do Ocidente Medieval (1964), O Nascimento do Purgatório (1981) e O Imaginário Medieval (1985). Nestes e em outros livros, sua mais importante contribuição foi a consistência e a profundidade com que desmistificou a Idade Média, desenvolvendo uma análise relativista sobre o período, que incluiu revoluções sociais e intelectuais pouco conhecidas ou menosprezadas nos nossos dias.

“Eu fui voluntariamente provocador ao falar de uma longa Idade Média que se prolongou até o século 18. Continuo a pensar que há uma certa verdade na ideia de que a Idade Média vai até o fim do século 18, se observamos aspectos essenciais, como a fome, as pestes, a indústria – a economia capitalista do século 18 é uma grande virada”, disse Le Goff em entrevista ao Estado em outubro de 2010. “Mas, mesmo que consideremos que o fim da Idade Média acontece no fim do século 15, ela não era decadente, não era triste, mas sim soberba, até exagerada.”

Le Goff viveu até seus últimos dias em um apartamento de classe média no 19º distrito de Paris, nordeste da cidade, onde se situam os antigos bairros operários da capital, ainda hoje mais populares. Tratava-se, reconheceu ele, de um sinal de seu engajamento político – o historiador se considerava um “moderado de esquerda”.

Em uma segunda entrevista ao Estado, o historiador revelou também uma refinada capacidade de análise sobre a realidade contemporânea internacional. Sobre a crise financeira global, por exemplo, afirmou: “O sistema capitalista está em um estado de decomposição e de esclerose. O sistema socioeconômico, que já podíamos não amar, cedeu seu lugar a uma dominação dos bancos – no mundo inteiro e inclusive nos Estados Unidos. Essa dominação é quase um gangsterismo financeiro”.

Na mesma entrevista, demonstrou que chegara ao final de sua vida com um quê de decepção: “Tenho 86 anos, e o que marca meu espírito é a desesperança, porque vejo perspectiva de melhora enquanto for vivo”.

Via Estado de São Paulo

sábado, 8 de março de 2014

sábado, 22 de fevereiro de 2014


Uma pesquisadora da Universidade de Oxford tem razões para acreditar que tudo o que se sabia sobre uma das sete maravilhas do mundo pode ser o resultado de um grande engano. A Dra. Stephanie Dalley afirma que as especulações arqueológias sobre Jardins Suspensos da Babilônia estavam procurando no  “lugar errado, com o monarca errado e no tempo errado”.
Os estudos da Dra. Dalley apontam que a construção dos jardins, até então atribuídas aos Babilônios, sob os auspícios de Nabucodonosor, teriam sido, na verdade, obra dos assírios e seu rei Sennacheribe, há 2.700 anos. Responsável por mais de 20 anos de pesquisa sobre o assunto, Dalley é uma autoridade mundial na interpretação de escrituras em cuneiforme.
“As transcrições falam que os jardins ficavam Ninevah. Mas a cidade está tão longe da Babilônia que poucos davam importância ao fato”, explica a Dra. Dalley. “Os assírios conquistaram o território dos babilônios, e a sua capital ganhou o nome de Nova Babilônia. Foi isso que gerou a confusão por tanto tempo”.

Dallei afirma ainda ter identificado o local exato onde os Jardins Suspensos da Babilônia teriam sido construídos. A área, um dos lugares mais perigosos do planeta na atualidade, fica na região do norte do Iraque.